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terça-feira

Reuniões


Penso haver na minha vida um hiato de tempo em que deixei de acreditar em reuniões. Deixei de ver grande utilidade em reunir-me com pessoas que, mais do que trabalhar em colaboração comigo, queriam impingir-me teimosamente a sua maneira de ver ou fazer as coisas, não se esforçando sequer em ouvir, compreender, discutir ou até negociar outras visões sobre um mesmo assunto. Acho que foi assim quase toda a minha vida adulta. E por isso deixer de ter ou marcar reuniões. Não tinha pachorra. Entretanto, as coisas alteraram-se de forma substancial. O meu mundo cresceu e os meus horizontes, com ele, também. Se, dantes, aquilo que não fizesse em parceria com alguém poderia eventualmente fazer sozinho, agora não é bem assim. E eu tive de reconhecer, de novo, utilidade às reuniões. No último ano tive várias. Aprendi a estar, participar, proceder e intervir nelas. Não estou um "mestre" na coisa mas estou muito melhor do que estava há um ano atrás. Confesso que ainda há reuniões sem pinta de utilidade mas, essas, são cada vez menos e as últimas que tive foram realmente produtivas. Aquilo que nelas discuti e propus, em alguns casos, até pode não dar em nada mas a discussão, a compreensão ou mesmo a negociação de que constaram foi algo que acabei por sentir como muito frutuoso. Hoje tive uma. Ficou decidido que um projecto meu vai avançar, com a preciosa colaboração de uma pequena mão-cheia de pessoas que são muito boas naquilo que fazem (e que, curiosamente, é tudo isto que se vê aqui em volta deste texto - guess what...). Fui ouvido, "picado", entendido, chamado a mostrar trabalho e a até a ceder num "ponto de honra" em que nunca tinha sequer ponderado fazer alterações... e agora estou muito tentado a dizer "Sim".

OUT




Custa.

domingo

Obama e o respeito dos/pelos media


Barack Obama deu a primeira conferência de imprensa após as eleições que ditaram que será o próximo presidente dos Estados Unidos. Não tendo de o fazer (só é "obrigatório" perante o presidente em exercício e não do candidato vencedor das eleições mas ainda não empossado), os membros da imprensa presentes na sala levantaram-se à chegada de Obama ao púlpito, criando um momento curioso de cumplicidade e boa disposição. Por seu lado, Obama, a páginas tantas questionado por uma jornalista da CNN, reparou que ela estava de braço ao peito, imobilizado, e perguntou-lhe o que se tinha passado - recordo, em plena conferência de imprensa - e, sabendo que o acidente tinha acontecido na noite das eleições e a caminho do local do seu primeiro discurso, gracejou com o facto e desejou rápidas melhoras à repórter, respondendo à sua questão logo de seguida. Podem ser apenas dois pequeníssimos pormenores mas são sintomas de que Barack Obama sabe conquistar o respeito de quem com ele convive e trabalha. Coisa que, por cá (e por tantos cantos do mundo), raramente se vê da parte dos "protagonistas" das notícias.

Previsão Metereológica...

... para os próximos dias:

Desconfio, sinceramente, que até ao final de quarta-feira vou andar a dar ao dente.

segunda-feira

Mãe é Mãe...


Aparecer na televisão tem destas coisas. Ontem, no meio de uma grande confusão que me rodeava, recebo duas (entre muitas outras) mensagens. Uma da digníssima esposa, preocupada, dizendo «Coitadinho!»; outra, da mamã, também preocupada (mas claramente com outras prioridades): «Tens a gola do casaco levantada. Compõe!». Há coisas que nunca hão-de mudar...

terça-feira

A Unidade Que Vem De Fora


Trabalho num sítio onde muito se fala de união e de "vestir a camisola" mas onde cada um tenta falar mais alto que o outro (para argumentar com bogalhos quando, infelizmente, se está a falar de alhos) e onde as dezenas de televisões existentes conseguem estar cada uma num canal diferente também elas a debitar decibéis em níveis desaconselháveis ao ouvido humano. No fundo, a união (por ali tão apregoada) é só uma utopia impossível de alcançar por manifesta falta de (boa) vontade de todos os que ali trabalham. No entanto, por vezes, fico a trabalhar até mais tarde e à noite, já com o local praticamente entregue unicamente "ao meu cuidado", chegam as senhoras da limpeza. Todas africanas, falam em crioulo salvo quando me cumprimentam, naturalmente, em português. Elas são uma equipa; que fala a mesma língua, que limpa, que arruma, que organiza (aquilo que a multidão que se aglomera de dia no meu local de trabalho deixa em pantânas diariamente)... e que, à medida que vai passando pelas dezenas de televisões existentes, as vão sintonizando todas no mesmo canal, para irem acompanhando a telenovela onde quer que estejam a limpar. Ou seja, com o correr dos minutos, noite dentro, o espaço vai deixando de ter 1001 vozes para acabar a ouvirem-se, em uníssono, as personagens da trama do seriado televisivo. É claro que as tv's continuam a debitar decibéis em níveis totalmente totalmente desaconselháveis ao ouvido humano mas, ao menos, todas a uma só voz, dando por fim uma sensação de unidade que, pelos vistos, naquela casa, só existe quando toda a gente sai e chega a equipa da limpeza.